Porque você deve acreditar no sucesso do Windows 10 Mobile

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Meados de 2011. Já faz um tempo que a Microsoft apresentou o Windows Phone ao mundo. Desde então o sistema dos portáteis é cercado de expectativas: poderia ele ter o mesmo sucesso que o sistema operacional dos PCs? De qualquer forma, tinha uma tarefa dura: disputar com os já consolidados iOS e Android.

O Começo
O Windows Phone 7 foi a primeira versão do sistema, e em parte agradou. Possuia uma UI bem diferente dos concorrentes, numa época que poucos usavam o flat design, além de ser rápido e eficiente, mas faltavam muitas coisas básicas e o sistema parecia mais uma beta, precisava melhorar. Ainda teve algumas atualizações que melhoraram poucas coisas. Depois foi anunciado o Windows Phone 8, que não seria uma atualização para o WP7 por conta de usar um núcleo novo, o mesmo do Windows de PCs. A mudança teve a justificativa de facilitar o desenvolvimento de aplicativos, já que o Windows 8 também tinha apps. E logo depois foram anunciados os aplicativos universais, que resumidamente seriam apps que rodam em quase todo ecossistema Windows: PC, Phone, Xbox. Porém não era tão fácil assim fazer um, o desenvolvedor poderia usar parte do código do aplicativo do Windows no Phone e vice-versa, mas não era exatamente um “único aplicativo”. Ainda tivemos a atualização 8.1, que trouxe recursos que finalmente deixaram o Windows Phone em pé de igualdade com os outros sistemas, como central de notificações e outras coisas. Mas já era tarde. A ausência de alguns aplicativos populares da Loja, que já tinham um certo peso negativo na escolha quando o Windows Phone veio ao mercado, se tornou ainda mais relevante com o boom dos apps. E a situação do sistema ficou complicada.

Bom, resumindo tudo isso que falei: WP7, cheio de expectativas = fracasso. WP8, segunda tentativa = fracasso. Para uma parte das pessoas, o Windows 10 Mobile já tem um destino certo. É normal desconfiar de algo que vem fracassando por anos. Mas também é preciso analisar se aquilo se encontra na inércia ou tenta mudar.

Windows 10
E o Windows Phone mudou em todos os sentidos, começando pelo nome. Agora deixou de ser uma versão “separada” do Windows para ser uma edição do Windows 10, sendo chamada de Windows 10 Mobile. E conta com apoio principalmente do Windows 10 de PCs, mas também de todo ecossistema da Microsoft, fazendo finalmente uso da integração dos sistemas. Para começar, o mais importante: aplicativos. Um dos motivos dos aplicativos universais do WP8 não terem dado certo foi pela baixa adesão ao Windows 8. O objetivo do programa universal é fazer com que aplicativos sejam desenvolvidos pro Windows (que tem muitos usuários) e por tabela seja feito um aplicativo pro Phone. Como o Windows 8 não foi bem recebido (diferentemente do antecessor Windows 7), poucas pessoas usavam ele, logo não existia incentivo para fazer aplicativos universais (já que nem Windows nem Phone tinham um bom montante de usuários).

Início da era Nadella
Quando Satya Nadella assumiu a Microsoft, implantou o mantra “Cloud first. Mobile first.”, ele sabe que Mobile é o futuro e tem que fazer de tudo para o sistema móvel da sua empresa decolar, e foi exatamente isso que ele fez: liberou o Windows 10 de graça pra quem já tinha o 7 ou 8/8.1, prejudicando um sistema para ajudar outro. Assim, as pessoas foram atraídas pela oferta gratuita, e também pelo sistema melhor que é o Windows 10, e com isso uma grande base de usuários está sendo formada. Cenário ideal pra os aplicativos universais entrarem em jogo, e ele também foi esperto nisso: agora os aplicativos são de fato universais. Você cria um único código responsivo que se adapta e roda em todos dispositivos Windows. Apenas é necessário alguns ajustes de UI para o aplicativo ficar na forma ideal. Só isso já é maior que tudo que as atualizações do Windows Phone já fizeram antes, e já é um motivo pra deixar esperançoso pro sucesso do sistema.

As apostas da Microsoft
Mas sabendo da dificuldade da adoção de um sistema novo e sem aplicativos, a Microsoft implantou todo tipo de incentivo no Windows 10 Mobile:

– Deixou a UI mais próxima do Android e iOS. Como era muito diferente dos outros sistemas, acabava afastando alguns desenvolvedores;
– Agora há uma integração do Windows PC e Mobile mais forte do que antes. O Windows usa os mesmos aplicativos universais, e mesmo fora desses aplicativos existem elementos de UI parecidos com os do Mobile. Também é possível imprimir arquivos e imagens nativamente pelo smartphone, e há suporte para periféricos como mouse e teclado;
– Windows Bridge visa trazer os aplicativos dos desenvolvedores preguiçosos que não querem fazer um app universal. Para isso, o sistema emula algumas APIs do Android e iOS e o desenvolvedor pode publicar na Loja do Windows exatamente o mesmo app que escreveu para outra plataforma, que ele rodará virtualizado. E para os que têm vontade de conhecer o W10 Mobile mas não estão dispostos a comprar um Lumia, a Microsoft lançará uma ferramenta para instalar seu sistema em smartphones Android selecionados. Até agora o único confirmado é o Xiaomi M4;
– Continuum transforma seu notebook ou tablet rodando Windows de PC em tablet efetivamente (com uma interface mais apropriada). E também quando seu Lumia se conectar a um monitor vira uma espécie de Desktop, usando mouse e teclado e tendo uma interface ideal.

O que esperar?
O Windows 10 Mobile tenta ao mesmo tempo trazer aplicativos populares e agradar o mercado empresarial e entusiastas com recursos fantásticos como universal apps e continuum. A Microsoft dessa vez vem se esforçando para fazer um sistema competitivo, não se limitando a apenas ao que a maioria dos consumidores querem (aplicativos populares), mas também explorando vários nichos menores como o empresarial, gamer, etc. Estes podem render percentuais preciosos de marketshare, que é o que o W10 Mobile precisa para crescer. O antigo Windows Phone pode até fracassar mais uma vez, pois tudo pode acontecer no mercado de tecnologia, mas julgar pelos fracassos anteriores é no mínimo precipitado.

E para os que acham que o sucesso só vem do sucesso, deixo uma mensagem final que, quem sabe, pode se encaixar na história desse post.

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  • Denis Oliveira

    Belo texto! Acredito que a MS finalmente vai brigar de igual pra igual com iOS e Android, exatamente pelos dois ótimos diferenciais citados no tópico. Bridge e Continuum (aliás, o aparelho da Xiaomi chama-se Mi4), sendo que este último vai ser excelente pra quem costuma jogar no smart/tablet, já que vai ser “fácil” apenas ligar um teclado e mouse, jogar a imagem na telona e curtir um bom jogo, sem que pra isso tenha que desembolsar grana em um console. Já o Bridge vai acabar com a desculpa de que a loja não tem apps, o que é ridículo dizer, mesmo com a falta de suporte de alguns devs, pois não sinto falta de nada desde que aderi ao WP. A galera é meio cética quando o assunto é WP, com certa razão conforme foi muito bem colocado no post, então agora o sucesso da plataforma está diretamente proporcional ao marketing desse sistema. Tá na hora de mostrar que WP é tão bom quanto (eu considero melhor, mas isso é subjetivo) os outros concorrentes no mercado.

  • Dra. Sofrida

    Precisa vender mais.
    Não adianta ser bom se não começar a dar lucro para a plataforma e aos poucos desenvolvedores que tem.

    Infelizmente a Microsoft não conseguiu ainda atingir uma fatia considerável do mercado, algo que seria em torno de 10%, e pior, está longe disso.

    O sistema em si é ótimo, mas a questão dos aplicativos ainda é o calcanhar de Aquiles.
    Possui alguns dos principais, porém com qualidade inferior (algo que aparentemente está começando a melhorar, de acordo com as últimas atualizações que acompanhei).

    Anos atrás Ballmer comentou sobre o lançamento do iPhone: “Nós vendemos milhões e milhões e milhões de telefones por ano, a Apple vende 0 telefones por ano.”
    “Vamos ver aonde a concorrência chega”

    A Apple atropelou todos os sistemas que existiam, inclusive o antigo Windows Mobile.
    Agora é hora da Microsoft usar todas as armas possíveis para fazer o contrário, pois experiência para isso ela tem!

    Não adianta ficar dizendo que o Windows Phone é “jovem”, não é tão jovem assim e também não é desenvolvido por uma empresa amadora.

    Não é só ficar encharcando o mercado com Low e Mid-ends, vai muito além disso.
    Uma coisa que eu bati palmas foi a promoção de compra do 640XL onde o cliente ganha 1 ano de Office 365.

    Desejo muito sucesso para a plataforma, fui feliz e única usuária da cidade (por muitos meses) do Windows Phone 7, em tempos de tecnologias diferentes, competitividade e estabilidade financeira diferentes também.

    Depois de 4 aparelhos nas duas variações do sistema, não me sinto mais atendida pelo Windows, mas continuo acompanhando a plataforma para que quando exista uma necessidade de troca, ela possa ser considerada.