Aplicativos do Android: a salvação do Windows Phone?

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Muito se fala na possibilidade de o Windows Phone passar a rodar aplicativos feitos para o Android. Não é de hoje que diversos sites e especialistas em tecnologia apostam suas fichas nisso.

Já tendo especulado diversas vezes, Tom Warren, editor do site americano The Verge, voltou a comentar o rumor:

“Quando o Windows Mobile (sic) for lançado e eventualmente suportar aplicativos do Android o destino do Windows Phone ficará claro”

 

Tom escreve sobre a Microsoft há anos e é uma das fontes mais conceituadas no assunto. Qualquer coisa que ele disser automaticamente ganha peso, mesmo que seja rumor. Mas quais são as chances disso realmente ocorrer?

 

Analisando a situação atual do Windows Phone é bem fácil entender porque este rumor é tão forte. A plataforma pode estar começando a chamar a atenção do público, mas ainda peca nos aplicativos. Não somente na quantidade destes, e sim na qualidade.

A Windows Phone Store conta com mais de 350 mil aplicativos disponíveis para download, nas mais diversas categorias. Mas muitos aplicativos deixam a desejar, como os clientes oficiais do Instagram (que foi atualizado pela ultima vez em março e ainda é beta) e do Twitter. Poucos desenvolvedores e empresas dão atenção para a plataforma.

Quando um aplicativo é lançado para plataformas móveis, as chance do mesmo ganhar uma versão para Windows são bem poucas, principalmente no lançamento. Isso chamou a atenção de desenvolvedores menores que viram em clientes não-oficiais a oportunidade perfeita para se destacar, mesmo que momentaneamente. É o caso de Rudy Huyn, mais conhecido pelo público por seus clientes para o Instagram (6tag) e Tinder (6tin). Mas mesmo que existam soluções alternativas de qualidade, é importante ter o aplicativo oficial disponível, nem que seja para dizer que existe.

Isso se revela um problema ainda maior quando consideramos os aplicativos e jogos do momento; um exemplo clássico é o Candy Crush Saga, que só recentemente foi lançado para a nossa plataforma.

 

Qual seria a solução mais rápida para este problema? Isso mesmo, passar a suportar nativamente aplicativos feitos para o Android.

Esta válvula de escape, como gosto de chamar, é o que garantiu algum espaço para a Amazon (que já mantinha a sua própria loja de aplicativos Android) e a BlackBerry no mercado. Se funcionou com elas, por que não trazer para o Windows Phone?

A Microsoft também tem seu histórico no mercado. Ela mantém versões de seus aplicativos para o Android (o exemplo mais recente são os aplicativos do Bing MSN). A Microsoft também já desenvolveu emuladores, como o Virtual PC, Hyper-V e até o específico App-V. Não podemos esquecer ainda da linha Nokia X, que foi descontinuada mas ainda existe nos arquivos da empresa de Redmond.

Dito isso, por que a Microsoft simplesmente não abandona o barco e passa a suportar aplicativos de Android?

 

Como falei acima, é uma válvula de escape. Talvez um plano B, mas não a primeira opção. A prioridade são os aplicativos universais.

Nós já vimos os esforços da Microsoft em promover o desenvolvimento de aplicativos universais, que rodam em todas as telas. De smartwatches a TV’s (através do Xbox), passando por celulares, tablets, computadores. Isso daria certo com aplicativos para Android? Talvez, mas não com a imensa maioria.

O Windows 10 está quase aí, e com ele vem um novo modelo de desenvolvimento, especialmente pensado para aplicativos universais (mas não só para eles, claro; alguns aplicativos simplesmente não se encaixam neste conceito, como o WhatsApp atualmente). Mas não teremos nada de concreto neste quesito até a Build, quando a Microsoft revelar o Windows 10 Developer Preview.

 

Falando no Visual Studio, a Microsoft anunciou diversas novidades para ele. Entre os destaques posso citar o Visual Studio Community, primeira versão realmente completa e gratuita do software, e o suporte a desenvolvimento para iOS e Android. Este último gerou uma grande repercussão, e muitos usuários chegaram à errada conclusão que a Microsoft abraçou de vez as plataformas concorrentes.

Mas o que está passando despercebido é que o desenvolvimento é multi-plataforma, e o código pode ser convertido entre uma plataforma e outra. Ou seja, um aplicativo Android pode ser aberto como um projeto no Visual Studio e ser convertido quase totalmente para Windows, bastando alguns refinamentos no código e adaptação do visual. Viram onde eu quero chegar? Os aplicativos poderão ser convertidos para Windows, e não rodar nativamente. As duas coisas são completamente diferentes.

 

Eu entendo a situação atual e reconheço que os rumores tem fundamento, mas a Microsoft está aos poucos mostrando a que veio. A nova visão mobile first, cloud first, com aplicativos antes exclusivos chegando às plataformas concorrentes e a pouca atenção ao Windows e WP podem enganar, mas não vamos esquecer que tem um novo Windows em desenvolvimento, para todos governar. Até o Windows 10 dar as caras e mostrar a que veio, resta-nos esperar.

  • Infinity

    Matou a charada!

    Não era nada do que o pessoal estava pensando, que era suportar aplicativos feitos para Android.

    A ideia é usar o Visual Studio no Windows para que os desenvolvedores desenvolvam para iOS, Android e Windows, aí vem a cereja do bolo. Usando C# e não Java, uma única IDE que é capaz de criar para todas as plataformas.